A Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) está promovendo, ao longo do mês de maio, uma série de ações em alusão ao Maio Laranja, campanha nacional de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Entre as iniciativas, a exposição “Feira dos Silêncios Não Consentidos”, na Casa da Cultura de Irati, teve sua abertura na quarta-feira (28).
“A feira denuncia a questão da violência contra crianças e adolescentes ser um silêncio e um segredo, pois é cometida principalmente por pessoas muito próximas”, destaca Michele Cervo, organizadora da ação e docente do Departamento de Psicologia.
A mostra é uma iniciativa do Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude (Neddij), em parceria com o Laboratório de Psicologia Social e Comunitária (Lasoc). A exposição reúne embalagens de produtos com rótulos recriados por estudantes de Psicologia com intuito de problematizar frases que crianças costumam escutar quando sofrem diferentes formas de violência.
“As crianças e adolescentes são sujeitos de direitos, não são objetos. A gente quer chamar a atenção para isso de uma forma mais metafórica afirmando que elas não estão à disposição como em uma prateleira de supermercado para que qualquer adulto chegue para violentá-las ou abusá-las”, explica Michele.
A exposição traz um contraste: brinquedos, roupas e desenhos estão misturados a estatísticas e relatos de violência na infância e juventude. “A Feira é uma instalação onde as pessoas se deparam com dados sobre as violências contra crianças e adolescentes e podem refletir sobre o compromisso de cada um enquanto cidadãos adultos no enfrentamento e proteção delas”, afirma a professora Michele.
Outro intuito da Feira dos Silêncios é divulgar os serviços oferecidos pelo Neddij. “Nós fazemos o acompanhamento judicial e psicológico para garantir a proteção dos direitos da criança e do adolescente”, resume a advogada do projeto, Ana Paula Silva. Ela destaca o quanto ações como a exposição podem fazer a diferença na prevenção de violências.
“A conscientização é o melhor caminho para que possamos reduzir o número de abusos. As pessoas que vierem até a exposição podem encaminhar para a gente casos de crianças que sofrem ou já sofreram violência, para que a gente consiga ajudá-los”, salienta Ana. A equipe organizadora também anexou um QRCode à exposição com um formulário para coletar respostas anônimas sobre violência infantil.
Para a aluna de Psicologia Maria Eduarda Cosechen, participar dos bastidores dessa exposição impactou positivamente em sua formação. “Enquanto estávamos organizando a intervenção, tivemos contato com pesquisas para trazer essas informações, o que é muito relevante para nosso processo educativo. Ter contato com essa realidade e pensar alternativas de como levar esses dados para a comunidade é uma forma de fazer uma psicoeducação”, discorre a acadêmica.
A exposição “Feira dos Silêncios Não Consentidos” fica aberta ao público até o dia 30 de junho. A visitação pode ser feita de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h, no piso superior da Casa da Cultura de Irati.
Maio Laranja na universidade
As ações da Unicentro alusivas ao Maio Laranja começaram no dia 18 de maio com uma intervenção no Câmpus de Irati. Estudantes de Psicologia usaram recursos como mural, vídeo, panfletos e histórias em quadrinhos para conscientizar a comunidade acadêmica sobre a violência infantil.
“A gente pensou em fazer algo que ficasse dinâmico para as pessoas entenderem a importância de denunciar e reconhecer os tipos de violência”, conta a estudante do 2º ano de Psicologia, Bruna Bahia.
Depois da atividade na universidade, os materiais produzidos pela turma foram levados para a Feira dos Silêncios Não Consentidos, na Casa de Cultura, somando informações e reflexões sobre a temática. “Precisamos proteger nossas crianças e desnaturalizar todas as formas de violência”, defende Bruna.
Por Amanda Pieta













